Publicado por: thalitafepe em: 08/05/2009
A história do amor no Brasil determinou a estrutura “família mosaico” que persiste até os dias de hoje. Na família brasileira tem-se muitas vezes uma mistura de papéis, filhos legítimos convivem com ilegítimos, somam-se agregados, trocam-se papéis etc. Com isso, em paralelo ao mundo de interesses e jogos, aparecem vínculos emocionais fortes, que fazem do brasileiro um povo reconhecidamente “quente e receptivo”.
Esses fatores também são consequências da dupla moralidade, nas quais, senhores, políticos e membros da alta classe sentiam-se no direito de possuir suas criadas ou mulheres que estivessem em uma posição social menos favorável; enquanto as esposas, submersas em ideais românticos, assistem a tudo em silêncio e sofrimento, esperando pela realização do sonho de um amor verdadeiro.
Formaram-se longas redes de solidariedade. Quanto mais filhos, maior a força de trabalho na família, assim como seus domínios.
A rotina dos cortiços é de grandes famílias, a maioria vivendo em habitações precárias. Aparece uma questão importante e necessária a todos os indivíduos, a privacidade. Devido à impossibilidade de construir privacidade dentro de casa, muitas vezes ela se dava fora de casa, ao ar livre. Era comum o sexo nos jardins, bosques, becos etc.
Nessa época papel da mulher é de devoção total ao homem, não tem direitos políticos e não passa de uma extensão das decisões masculina. Os casais formados nas classes baixas, entre operários, possuíam relativa liberdade e igualdade, quando comparados aos das famílias tradicionais.
O casamento, por sua vez, segue o conceito de igualha, autoridades da Igreja insistem que o casamento seja realizado apenas entre iguais seja etnia, localidade, classe social, etc.
Os casamentos deveriam ser diante a Igreja e ocorriam cedo. As pessoas de classes mais pobres casavam-se mais tarde e tinham maior tolerância quanto à escolha do parceiro, que somente deveria pertencer à mesma classe social. A história diz que os critérios de escolha desse parceiro eram os que tivessem maior força física, para o trabalho e os que apresentassem melhores condições de procriação, porém, no dia-a-dia as escolhas deveriam ir além disso.
Surgiram formas de namoro, códigos que antecediam o contato entre os namorados, entre essas formas estavam beliscões no braço, recados, sons na janela, etc. As janeleiras eram moças disponíveis que se expunham nas janelas – a Igreja também condenava essa prática.
Brasileiros sempre recorreram à magia amorosa devido ao fato de haver uma necessidade desse amparo mítico em meio a tantas imposições. Utilizavam cartas de tocar e outros signos para que seu amor fosse correspondido, banhos e orações tanto para Deus quanto para Satanás.
Magias eram feitas a partir de excretos: gozo, pelos púbicos, lágrimas e suor eram dadas a beber para a pessoa que desejasse conquistar.
As mulheres, apesar de assumirem uma posição desfavorecida na sociedade, muitas vezes eram as adúlteras, manipuladoras, armavam golpes, encomendavam mortes etc.
A família escrava não era bem estruturada, moravam em senzalas junto com outras famílias e não tinham tempo. Os casamentos entre escravos garantiam a paz e harmonia com os senhores, já que não haveria rebeliões para não colocar em risco seus parentes.
No séc. 18 o significado da palavra amor no dicionário era o amor por Deus e tudo que é divino, o que o sentimento pelo marido era tratado por bem querer amistoso.

A Família - de Tarsila do Amaral
27/04/2010 às 5:50 pm
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