Calcinha Bege

Separação – Parte 2

Publicado por: thalitafepe em: 10/12/2009

Quando eu descobri que ele estava com outra, pensei que fosse morrer, ou matar. Dei um soco na mesa do bar, saí desnorteada em busca de um caixa para pagar a conta.

A gente sempre acha que a separação não vai durar muito tempo, que logo a saudade vai bater ou ele vai perceber que você é a única mulher que vale a pena. Até que ele arruma outra.

Um misto de inveja e ciúme fazia com que eu me sentisse trocada, rejeitada. Bebi demais. Como uma louca descontrolada liguei infinitas vezes, xinguei de vagabunda, falei que ia me vingar. Ele me tratou delicadamente como uma doente.

No dia seguinte, vômitos e arrependimentos. Era tarde. Não era um pesadelo.

Mas a culpa foi toda dele. Ele me fez acreditar que eu era especial, única, e que juntos colocaríamos os infinitos planos em prática. Nunca prometa aquilo que não sabe se irá cumprir.

Tive vergonha da minha reação, fiquei dias enfurnada em casa, curtindo a fossa com uma questão bem clichê na cabeça: O que ela tem que eu não tenho? Experimentei um novo mix de sensações, uma curiosidade mórbida e um narcisismo enfurecido. O desejo de saber o jeito dela, as qualidades e principalmente os defeitos, para que eu me sentisse melhor (nada me faria sentir melhor, afinal, ele estava com ela).

Como é possível um homem ter tantas dificuldades em um relacionamento, facilmente superadas em questão de 1 semana (isso pelo que sei)?

E aquele velho discurso “eu quero um tempo para os meus projetos profissionais, estou em uma fase em que necessito de espaço?”.

A gente fica junto nas piores horas, anima, incentiva, aí quando as coisas dão certo, quem vai usufruir além de ficar com a sensação deliciosa de uma nova paixão, e os planos concretizados, é a outra. O velho trauma da ex-esposa, 15 quilos mais gorda, 3 filhos e carreira arruinada.

A mim sobrou a fama de garota geniosa, excêntrica e extravagante (pra não dizer perigosa, louca e baixa), contra uma menina de temperamento leve, descontraído e compreensivo (sempre é assim).

Tudo virou uma grande conspiração, o tempo todo os amigos querem esconder o que eu insisto em perguntar. Quem é ela? O que ela faz? Ela é feia? Gorda? Que tipo de roupa ela usa?  Por que eu fui trocada?

Trocada sim. A partir do momento que ele tinha a possibilidade de estar comigo, sabendo que eu claramente era apaixonada por ele, no entanto, preferiu ficar com a outra, isso é uma troca.

Na minha cabeça, filminhos: os dois caminhando na praia, fazendo exercícios, comendo pipoca, cozinhando, comendo frutas, etc. E enquanto eles vivem felizes (na minha cabeça), sem nem lembrar da minha existência, eu perco horas imaginando e vivendo em função deles.

Ao mesmo tempo eu não queria parecer problemática. Não queria ser como as recém divorciadas que só sabem xingar a nova esposa do ex-marido. Não queria passar horas falando sobre esse assunto achando que o casal estava em uma batalha contra mim. Talvez eles realmente estivessem apaixonados…

Talvez eu precisasse disso para me convencer do óbvio, daquilo que todo mundo já tinha jogado na minha cara. Seguir a minha vida, eu me toquei, mas não sei exatamente quando. Talvez não tenha existido um momento limite, mas fosse uma simples conseqüência do tempo (sem ignorar meu esforço e mérito pessoal).

Todas as minha esperanças de uma linda história de amor, como nos filmes, acabam por aqui. Era hora de eu me mancar e sair de cena; dar espaço ao novo par romântico e a um novo final feliz, que não o meu.

Eu nunca perco. Mas dessa vez eu perdi.

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Um blog que entende o universo feminino e, acima de tudo, sabe o quanto uma calcinha bege é deprimente, mas apóia o fato de toda mulher ter uma.

 

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